Marcelo Segreto lança “Bacurau”, primeiro single do EP “Cinemúsicas, Vol.1”

“Bacurau” é o novo single de Marcelo Segreto com produção musical de Marcus Preto e Tó Brandileone, pelo Selo da Gravadora Experimental da Fatec Tatuí. Esse é o primeiro lançamento do EP Cinemúsicas, Vol.1, com canções inspiradas no cinema.

Idealizador e compositor da Filarmônica de Pasárgada, Segreto já trabalhou com artistas como Tom Zé, Guilherme Arantes e Luiz Tatit e atualmente está dando continuidade à sua carreira solo. 

Ouça “Bacurau”.

“Já fazia um tempo que eu estava pensando em compor canções inspiradas em filmes… E, ao mesmo tempo, o Marcus Preto, diretor artístico do EP, já tinha me sugerido a ideia de fazer um disco que passasse por questões políticas. Pois foi a junção dessas duas ideias que me fez compor as canções do EP Cinemúsicas, Vol.1, misturando Cinema e Política. Comecei a mergulhar em filmes que exploram essas questões de alguma maneira e o primeiro deles foi Bacurau”, comenta o artista.

A faixa de estreia faz um retrato da violência e da revolta presentes no filme Bacurau (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, ora com ironia (“Engole boliche, refri, netflixe e lanche / Passa fome, mas passa filme de ação / De ação reação”), ora com melancolia e lirismo (A multidão na pessoa, a duna no grão / A passeata no pé, a ciranda na mão / Pau-brasil na semente, o museu no presente, o mar no sertão). Ao final, a canção subverte o próprio lugar de fala do eu-lírico, visto como um “sujeito radioativo” que merece ser “enterrado vivo”. 

“Durante a composição, uma coisa que me passava pela cabeça, para além do retrato da injustiça, violência e revolta presentes no filme, era fazer uma reflexão mais profunda e sincera sobre a minha posição diante dessas questões, pensando no meu lugar de fala, me comprometendo, me confundindo com o eu-lírico, me colocando na história da letra da canção”, completa.

Quando as gravações começaram, a ideia inicial era buscar uma sonoridade western e melancólica, mas sem perder certa violência trazida pela letra. “Nesse sentido, o Marcus sugeriu inserirmos uma virada de bateria a partir do meio da faixa e seguir com ela até o final. Essa entrada da bateria (na verdade tambores soltos tocados pelo Tó) contribuíram muito pro crescendo musical (mas também pro crescendo de tensão da letra) que acontece na parte final da canção”, finaliza Marcelo Segreto.

O EP Cinemúsicas, Vol.1 será lançado em outubro deste ano e ainda conta com outras canções inspiradas em filmes brasileiros, tais como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” de Glauber Rocha, “Limite” de Mário Peixoto, “Noite Vazia” de Walter Hugo Khouri e “Democracia em Vertigem” de Petra Costa. 

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