5 dicas para médicos gerirem melhor a carreira em 2027

Gerir a carreira médica em 2027 vai exigir atenção não apenas à formação técnica, mas também a finanças, processos, posicionamento, experiência do paciente e planejamento. Para profissionais que atuam em consultórios e clínicas, organizar esses pontos pode ajudar a reduzir a dependência exclusiva da agenda e trazer mais previsibilidade para a atividade profissional.

Segundo o neurocirurgião Isaac Bertuol, o aumento do número de médicos no país torna essa discussão ainda mais relevante. “A Demografia Médica no Brasil 2025 projeta 674.641 médicos em 2026 e 713.654 em 2027. Esse crescimento aumenta a necessidade de o profissional pensar não apenas na formação técnica, mas também em como administra e posiciona a própria atividade”, analisa.

Depois de 23 anos na medicina e 19 dedicados à neurocirurgia, Isaac Bertuol passou a incorporar conhecimentos de gestão à própria rotina profissional. A partir dessa mudança, reorganizou processos, modelo de receita, posicionamento e administração da operação. “Eu vivia uma lógica muito comum na medicina: foco total na técnica e na agenda. Quando comecei a estruturar modelo de receita, posicionamento e gestão, os resultados se tornaram mais previsíveis”, afirma.

Com base nessa experiência, o especialista aponta cinco aspectos que podem ajudar médicos a organizar melhor a carreira no próximo ano.

1. Entenda quanto a clínica realmente ganha

Conhecer os números da operação é o primeiro ponto indicado pelo especialista. “Faturamento, lucro e geração de caixa são conceitos diferentes. Uma agenda cheia pode aumentar a entrada de recursos e, ao mesmo tempo, esconder custos elevados, precificação inadequada ou serviços pouco rentáveis. Por isso, é importante acompanhar despesas, impostos, folha de pagamento, margem por serviço e inadimplência”, explica.

Segundo ele, a análise precisa ir além do valor que entrou no caixa. “O médico deve saber quanto custa manter a estrutura, quais serviços contribuem efetivamente para o resultado e qual capacidade financeira existe para investir, contratar ou ampliar a operação”, acrescenta.

2. Evite centralizar toda a operação no médico

Confirmações de consultas, retornos, mensagens, documentação, fornecedores e cobranças fazem parte da rotina de uma clínica, mas nem todas essas tarefas precisam depender diretamente do profissional.

“Quando qualquer decisão precisa passar pelo médico, ele acaba se tornando o gargalo da própria operação. Definir responsabilidades, padronizar rotinas e criar procedimentos para situações recorrentes ajuda a preservar tempo para aquilo que realmente exige a atuação dele”, afirma Isaac Bertuol.

Para o neurocirurgião, a descentralização também interfere na capacidade de crescimento. “Se cada novo paciente ou serviço fizer com que mais tarefas cheguem diretamente ao proprietário da clínica, a expansão continuará limitada pela quantidade de horas disponíveis na agenda”, explica.

3. Construa autoridade sem confundir posicionamento com exposição

A busca dos pacientes por informações na internet também passou a interferir na maneira como médicos administram a reputação profissional. “Uma pesquisa Vox Populi, encomendada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar, divulgada em janeiro de 2026, mostrou que 60% dos brasileiros utilizam a internet para procurar informações sobre saúde, sintomas, doenças ou diagnósticos. Entre eles, 90% recorrem ao Google e 19% utilizam ferramentas de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, 85% não confiam plenamente nas informações encontradas”, aponta Bertuol.

Para Fernanda Tochetto, psicóloga, empresária e fundadora do Tittanium Club, esse comportamento reforça a importância de trabalhar a reputação de maneira organizada. “A credibilidade médica não nasce da quantidade de publicações nas redes sociais. Posicionamento significa deixar claro quem é aquele especialista, qual é sua área de atuação, que conhecimento acumulou e como comunica isso de maneira coerente ao longo da carreira”, analisa.

Fernanda Tochetto atua ao lado de Isaac Bertuol no Tittanium DOC, frente direcionada a médicos e voltada ao desenvolvimento de competências relacionadas à gestão, autoridade, modelo de negócio e liderança.

Médica de jaleco branco, óculos e estetoscópio gesticula enquanto conversa com uma paciente negra sentada à sua frente, em um consultório médico bem iluminado.
Uma boa gestão também ajuda a melhorar a relação entre médico e paciente (Imagem: fizkes | Shutterstock)

4. Observe toda a experiência do paciente

A organização da clínica também influencia a relação construída com o paciente antes e depois da consulta. “Dados da sexta edição do Perfil do Paciente Digital, divulgada pela Doctoralia em novembro de 2025, mostram que 84% dos acessos à plataforma são realizados pelo celular e que 33% dos agendamentos acontecem fora do horário comercial. Isso mostra que a jornada do paciente não começa necessariamente quando ele entra no consultório”, explica Isaac Bertuol.

Segundo o especialista, facilidade para agendar, clareza das orientações, recepção, pontualidade e comunicação da equipe também devem ser observadas. “A consulta continua sendo o centro da assistência. A função da gestão é retirar ruídos operacionais que possam prejudicar essa relação e permitir que o cuidado permaneça como prioridade”, ressalta.

5. Planeje 2027 antes de o ano começar

Transformar intenções em metas concretas é a última recomendação dos especialistas. “Dizer que pretende faturar mais, atender mais pacientes ou crescer profissionalmente ainda não é planejamento. É necessário definir de onde virá esse crescimento, quais custos precisam ser revistos, quais processos deverão mudar e que indicadores serão acompanhados”, explica Isaac Bertuol.

Para Fernanda Tochetto, a análise também deve considerar o impacto que a expansão terá sobre a rotina profissional. “Se a receita aumenta, mas toda nova demanda continua dependendo exclusivamente do médico, é possível elevar faturamento e sobrecarga ao mesmo tempo. Crescimento precisa vir acompanhado de estrutura e capacidade de execução”, afirma.

Planejamento é fundamental

Metas financeiras, capacidade de atendimento, custos, organização da equipe, posicionamento e investimentos estão entre os elementos que podem ser analisados para o próximo ciclo. “O ideal é entrar em 2027 sabendo quais decisões serão prioritárias e quais números mostrarão se a estratégia está funcionando. Planejar não é apenas definir onde se quer chegar, mas organizar como isso será executado”, explica Fernanda Tochetto.

Para Isaac Bertuol, incorporar conhecimentos de gestão não significa afastar o médico da finalidade principal da profissão. “Eu sei o que é viver apenas de agenda e também sei o que muda quando você estrutura a carreira. Gestão não significa mercantilizar a medicina. Significa organizar a atividade profissional para exercer a medicina com mais clareza e previsibilidade”, conclui.

Por Carolina Lara

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