A busca por um bumbum mais definido e volumoso ganhou força nas redes sociais e entre celebridades como Virginia Fonseca, Bianca Andrade e Gkay. Com a popularização de procedimentos para melhorar o contorno dos glúteos, cresce também a preocupação sobre a segurança de repetir intervenções em intervalos curtos.
Embora cada técnica tenha indicações e tempos de recuperação diferentes, não existe uma fórmula que possa ser aplicada a todas as pessoas. Anatomia, histórico de procedimentos, condições dos tecidos e resposta do organismo precisam ser avaliados antes de qualquer nova intervenção.
A seguir, confira razões para ter cuidado antes de realizar procedimentos estéticos no bumbum.
1. O corpo tem um limite para receber novas intervenções
Antes de pensar em aumentar o volume ou modificar o contorno dos glúteos, é importante entender que o organismo precisa ter condições de responder ao procedimento. O histórico de cirurgias e procedimentos anteriores também interfere na avaliação e pode tornar intervenções futuras mais complexas.
“Não existe um número absoluto de procedimentos que determine até onde uma pessoa pode chegar. O limite é individual e depende da anatomia, da qualidade da pele e dos tecidos, do histórico de cirurgias, da presença de cicatrizes, da vascularização da região e, principalmente, da capacidade de recuperação do organismo. Cada nova intervenção altera a anatomia e pode aumentar a complexidade de um procedimento posterior”, explica o cirurgião plástico Dr. Luis Fernando de Mattos.
2. Fazer outro procedimento durante a recuperação aumenta os riscos
O resultado que aparece nas primeiras semanas nem sempre representa o resultado definitivo. Por isso, tentar acelerar o resultado com uma nova intervenção pode ser uma decisão arriscada.
“O principal problema é não respeitar o tempo necessário para que os tecidos se reorganizem. Uma região que ainda apresenta edema, inflamação ou cicatrização interna não está pronta para receber necessariamente uma nova agressão cirúrgica. Isso pode aumentar a possibilidade de sangramento, infecção, seroma, alterações na cicatrização, fibrose, irregularidades e sofrimento dos tecidos”, alerta a cirurgiã plástica Dra. Alessandra Martinelli, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
3. Procedimentos repetidos podem afetar a qualidade dos tecidos
A repetição de intervenções não deve ser analisada apenas pelo resultado visual. Por isso, uma avaliação individual é indispensável antes de decidir por uma nova sessão.
“Não existe um número fixo que determine quantos procedimentos podem ser realizados no bumbum. Cada procedimento provoca uma resposta no organismo e, quando são feitos de forma repetida ou sem respeitar os intervalos necessários, podemos ter alterações na qualidade da pele, fibroses, edema persistente e irregularidades”, explica Bárbara Peres, enfermeira formada pela UNIP e pós-graduada em estética avançada pelo NEPUGA.

4. Inchaço não significa necessariamente que o procedimento deu errado
Segundo Bárbara Peres, um dos principais erros é avaliar o resultado muito cedo. Uma região inchada, endurecida ou com alterações de sensibilidade pode ainda estar passando pelo processo natural de recuperação. Intervir novamente nesse momento pode dificultar a evolução e até mascarar o resultado que ainda está sendo formado.
5. O resultado de uma famosa não deve ser usado como referência
A exposição de procedimentos realizados por celebridades pode despertar o desejo de reproduzir determinados resultados, mas o corpo de uma pessoa não pode ser usado como parâmetro para outra. Mesmo quando duas pacientes realizam a mesma técnica, a recuperação pode acontecer de maneiras completamente diferentes.
Antes de fazer, converse com um especialista
A principal recomendação para quem deseja realizar procedimentos estéticos no bumbum é não tomar decisões baseadas apenas em tendências das redes sociais. O intervalo entre procedimentos deve ser definido de acordo com a técnica utilizada e a recuperação de cada paciente.
Além disso, a ausência de dor não significa necessariamente que os tecidos estejam completamente recuperados. Avaliação presencial, indicação adequada e respeito ao tempo biológico do organismo são fundamentais para reduzir riscos.
“Não existe um prazo universal que determine quando todos os pacientes podem voltar à cirurgia. O momento adequado depende do procedimento anterior, da extensão da intervenção e da resposta individual à cicatrização. É necessário avaliar a evolução do edema, a qualidade da pele, a presença de fibroses, cicatrizes, alterações de sensibilidade e a estabilidade do resultado”, ressalta a Dra. Alessandra Martinelli.
Mais do que buscar um resultado rápido, é preciso considerar a segurança. Quando o assunto é procedimento estético, fazer mais ou fazer antes não significa necessariamente obter um resultado melhor.
Por Sarah Carvalho