Ao sentir uma tensão constante nos ombros, um aperto no peito ou um nó no estômago, muitas vezes a reação automática é pensar que se trata apenas de cansaço. Na correria do dia a dia, é comum minimizar esses sinais ou tratá-los como algo sem importância.
Segundo a psicóloga e psicanalista Beatriz Breves, autora de “Eu Fractal – Conheça-te a ti mesmo”, o corpo é uma manifestação direta do que cada um de nós é. Com 40 anos de pesquisa dedicados à Ciência do Sentir, a especialista defende que a estrutura física e a psique não são dimensões separadas, mas expressões distintas de um mesmo ser.
“Durante muito tempo, o sentir foi colocado em segundo plano diante da razão. Agora, ao compreender o ser humano como um complexo vibracional uno, inteiro e indivisível, em que o sentir é a experiência vivenciada da vibração que somos, aquilo que sentimos emerge como protagonista da experiência humana”, destaca Beatriz Breves.
A psicóloga compartilha alguns dos motivos para não ignorarmos as manifestações físicas no dia a dia, levando em conta o Eu biopsicossocial, em que saúde, comportamento e identidade são moldados pela interação dinâmica entre as dimensões biológica, psicológica e social. Confira!
1. Reação física imediata
Nem sempre conseguimos identificar de imediato o que estamos sentindo, mas o corpo pode reagir rapidamente. Uma respiração curta, um desconforto repentino ou uma tensão localizada podem ser os primeiros indícios de que algo nos afetou, mesmo antes de a mente organizar essa informação. Ignorar os sinais físicos que expressam esse conjunto é ignorar uma sinalização valiosa de nós mesmos.

2. Viver pede consciência de si mesmo
Quando não nos escutamos, tendemos a seguir no automático. Pequenos sintomas vão se acumulando e podem se transformar em cansaço constante, irritação ou sobrecarga. Não porque surgiram do nada, mas porque não foram percebidos ao longo do caminho.
3. Reconexão com o Eu
A proposta não é transformar essa sensibilidade em um problema, mas cultivar uma relação mais atenta consigo mesmo. Esse movimento de auto-observação pode ser um dos caminhos mais simples e profundos para se reconectar com o que realmente se sente.
Prestar atenção ao Eu biopsicossocial que somos é um exercício de presença. É um modo de observar o que está acontecendo no momento, sem reduzir a experiência a rótulos rápidos. Essa escuta mais sensível permite respostas mais conscientes e menos reativas.
Por Ana Paula Gonçalves