Copa do Mundo: veja a importância da alimentação no desempenho dos jogadores

Em uma Copa do Mundo, a preparação de jogadores como Neymar, Vinícius Júnior, Raphinha e Endrick vai muito além dos treinos em campo. Com jogos intensos, desgaste físico elevado e pouco tempo de recuperação entre as partidas, a alimentação passa a ter papel estratégico dentro da rotina dos jogadores convocados por Carlo Ancelotti.

Alimentos como arroz, feijão, carnes magras, ovos, frutas e outras fontes de proteína costumam ganhar espaço no cardápio dos atletas, enquanto frituras, álcool e ultraprocessados geralmente são reduzidos ou eliminados da dieta dos jogadores da Seleção Brasileira.

Segundo o médico Dr. Danilo Almeida, fundador da Clínica Versio, o desempenho dos jogadores depende diretamente da capacidade do organismo de manter energia, recuperação muscular e equilíbrio metabólico ao longo da competição.

“Durante uma Copa, o atleta passa por um nível muito alto de desgaste físico, inflamação muscular e perda de líquidos. Por isso, a alimentação precisa fornecer energia suficiente para o jogo, acelerar a recuperação muscular e evitar queda de rendimento entre uma partida e outra”, explica.

Além da escolha dos alimentos, horários das refeições, hidratação constante e qualidade do sono também costumam fazer parte da estratégia nutricional durante grandes competições. “O corpo precisa estar preparado para a recuperação muscular, reduzir fadiga e manter boa função cognitiva. Quando existe alimentação inadequada ou desidratação, isso pode impactar resistência física, tempo de reação e até tomada de decisão dentro de campo”, acrescenta o Dr. Danilo Almeida.

Carboidratos ajudam a sustentar o rendimento durante a partida

Durante partidas de alta intensidade, os jogadores realizam arrancadas, mudanças rápidas de direção e esforço contínuo por mais de 90 minutos. Por isso, carboidratos costumam ter papel importante na rotina alimentar dos atletas, funcionando como principal fonte de energia muscular. Preparações mais leves e de fácil digestão, como arroz, massas, frutas e tubérculos, normalmente são priorizadas antes dos jogos.

“O carboidrato é essencial porque abastece o músculo com glicogênio, que funciona como reserva de energia para exercícios intensos. Quando essa reserva está baixa, existe maior risco de fadiga precoce, perda de potência muscular e queda de desempenho durante a partida”, explica o médico.

Hidratação é essencial para uma boa performance

A hidratação também recebe atenção especial durante jogos e treinamentos, principalmente devido às previsões de altas temperaturas e umidade na Copa de 2026. Água, bebidas isotônicas e frutas com alta concentração de líquidos costumam fazer parte da estratégia para evitar desidratação e perda de performance.

“Mesmo uma desidratação leve já pode prejudicar resistência, velocidade, concentração e recuperação muscular. No esporte de alto rendimento, pequenos desequilíbrios fazem diferença”, acrescenta o Dr. Danilo Almeida.

Alimentos ricos em proteína como carne, ovos, peixe, lentilha em cima de bancada de pedra branca com uma lousa escrito proteína em inglês
A ingestão de proteínas favorece o reparo muscular após o esforço físico (Imagem: New Africa | Shutterstock)

Proteínas e recuperação muscular ganham importância entre jogos

Em campeonatos como a Copa do Mundo, o curto intervalo entre as partidas aumenta a necessidade de recuperação muscular rápida. Nesse cenário, proteínas costumam ocupar espaço importante no cardápio dos jogadores. Frango, ovos, peixes, carnes magras, iogurtes e whey protein estão entre os alimentos frequentemente utilizados para auxiliar na regeneração e na preservação da massa muscular.

“Após jogos intensos, o organismo entra em um processo elevado de reparo muscular. A proteína fornece aminoácidos importantes para a reconstrução das fibras musculares e recuperação do desgaste provocado pela partida”, afirma o Dr. Danilo Almeida.

O médico destaca ainda que alimentos muito gordurosos, excesso de frituras, álcool e ultraprocessados geralmente são evitados próximos aos jogos. “Esses alimentos tendem a piorar a digestão, aumentar a inflamação e prejudicar a recuperação física e qualidade do sono. Em uma competição curta e intensa como a Copa, isso pode comprometer o desempenho nos dias seguintes”, ressalta.

Alimentação também influencia concentração, raciocínio e sono

Além da parte física, a alimentação também influencia concentração, raciocínio rápido e estabilidade energética durante os jogos. Em partidas decisivas, fatores cognitivos fazem diferença em tomadas rápidas de decisão, tempo de reação e manutenção do foco ao longo dos 90 minutos.

“O cérebro também sofre impacto com a alimentação. Oscilações bruscas de açúcar no sangue, desidratação e noites mal dormidas podem reduzir concentração, atenção e velocidade de resposta durante o jogo”, explica o médico.

Segundo o Dr. Danilo Almeida, apesar de a rotina dos atletas ser extremamente específica, alguns princípios podem ser adaptados para qualquer pessoa. “Nem todo mundo precisa seguir alimentação de atleta, mas hidratação adequada, redução de ultraprocessados e refeições mais equilibradas já trazem benefícios importantes para disposição, saúde metabólica e qualidade de vida”, finaliza.

Por Paula de Paula

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