Foco nos estudos: 5 técnicas para melhorar a concentração

Redes sociais, aplicativos e jogos são recursos projetados para fornecer recompensas rápidas por meio de curtidas, notificações e vídeos curtos. Esse mecanismo libera dopamina de forma instantânea. Por outro lado, o estudo oferece uma recompensa de longo prazo, já que a aprovação nos vestibulares exige uma preparação de longo prazo.

Nesse contexto, para muitos jovens, o cérebro acostumado à gratificação imediata do celular pode passar a considerar o estudo “chato” em comparação com o entretenimento disponível no celular, pois o esforço é elevado e a recompensa pode demorar.

Outro fator que contribui para o aumento da dificuldade de concentração no conteúdo é o aluno antecipar o percurso a ser trilhado. De acordo com Ronaldo Carrilho, professor do Sistema Anglo de Ensino, muitos estudantes, ao planejarem estudar, pensam na quantidade elevada de conteúdos que precisam revisar.

“Essa pressão gera ansiedade. A ansiedade ativa o cérebro e o coloca em modo de ‘luta ou fuga’, fazendo com que a parte racional, responsável pelo foco, seja prejudicada. O resultado é a mente vagando, a dificuldade de absorver o texto e a vontade de fugir daquela situação por meio da procrastinação”, explica.

Quando a mente perde o ritmo do estudo

Diante desse cenário, é importante compreender que o foco, ou seja, a concentração seletiva, é uma habilidade que pode ser treinada e desenvolvida. Segundo Ronaldo Carrilho, a prática da meditação — técnica que permite conduzir a mente a um estado de tranquilidade — pode ser um caminho. Embora as distrações façam parte do cotidiano, desenvolver o foco significa justamente adquirir a capacidade de retomar a atenção direcionada a um objetivo sempre que percebemos que a mente se dispersou.

Como destaca o professor, esse processo exige prática e constância. “Assim como um corredor não consegue percorrer uma maratona sem treinar, o cérebro não mantém o foco por horas se não for condicionado. Ele perde o ‘condicionamento’ para se engajar em uma tarefa única e prolongada. Assim, quando tentam estudar por 30 minutos seguidos, é como pedir para um velocista correr 10 km: a resistência simplesmente não existe”, compara.

menina de blusa cinza sentada em cadeira de biblioteca e alongando braços para cima. mesa com copo de café e livros
Pausas bem distribuídas aumentam a eficiência nos estudos (Imagem: Thanumporn Thongkongkaew | Shutterstock)

Técnicas para aumentar o foco e o tempo de estudo

Para ajudar os estudantes a manterem a concentração, Ronaldo Carrilho apresenta cinco estratégias práticas que contribuem para ampliar o tempo de estudo. Confira!

1. Pratique a técnica de ciclos de foco

A técnica clássica chamada Pomodoro, que consiste em 25 minutos de foco seguidos de 5 minutos de pausa, pode ser insuficiente para resolver questões complexas de vestibular. Uma estratégia é adaptar para 50 minutos de estudo intenso seguidos de 10 minutos de pausa obrigatória. A cada quatro ciclos, faça uma pausa maior, de 30 minutos.

2. Controle dos estímulos digitais (modo avião)

O celular é um dos principais inimigos do foco. Ao estudar, coloque o aparelho no modo avião e guarde-o dentro da mochila ou em outro cômodo. Utilize extensões de foco, como aplicativos de concentração, se precisar do computador. Estabeleça horários fixos para checar as redes sociais, por exemplo, após cumprir dois ciclos de estudo.

3. Planeje diariamente metas de performance (e não apenas de tempo)

Defina metas específicas e mensuráveis para o dia, como: “resolver 20 questões de Matemática sobre logaritmos” ou “ler e resumir três páginas de Literatura”.

4. Intercale matérias

Estudar a mesma disciplina por quatro horas seguidas provoca queda significativa na retenção após a primeira hora. Alterne entre áreas do conhecimento. Por exemplo: uma hora de exatas, em sequência, uma hora de humanas.

5. Pratique a técnica do estudo ativo

Ler e reler a matéria gera uma falsa sensação de aprendizado, além de entediar o cérebro rapidamente. Para manter o foco, o cérebro precisa ser desafiado. Uma orientação neste sentido é, em vez de apenas reler um capítulo, fechar o livro e tentar explicar o conteúdo em voz alta, como se estivesse ensinando alguém, ou realizar simulados com frequência. O uso de fichas de perguntas (flashcards) também pode ajudar nesta jornada.

Por Ana Paula Brunatti

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