Nariz entupido constantemente? Sintoma pode prejudicar sono e qualidade de vida

Ter dificuldade para respirar pelo nariz durante boa parte do dia ou acordar à noite com a sensação de nariz entupido pode parecer apenas um incômodo, mas, quando o quadro se torna frequente, merece atenção. A obstrução nasal persistente pode interferir no sono, na disposição e até na rotina de atividades físicas, além de estar associada a diferentes condições que precisam ser investigadas.

Rinite alérgica, alterações anatômicas, como o desvio de septo, aumento dos cornetos nasais, sinusite e pólipos nasais estão entre as possíveis causas de dificuldade para respirar pelo nariz. Por isso, tratar apenas o sintoma sem descobrir sua origem pode não resolver o problema.

“Respirar pela boca porque o nariz está constantemente obstruído não deve ser encarado como algo normal. É importante entender por que o nariz não está funcionando adequadamente, porque existem diferentes causas e, consequentemente, diferentes formas de tratamento”, explica o Dr. Alexandre Cury, otorrinolaringologista e professor do curso de Medicina da Uniderp.

Quando o nariz entupido começa a afetar o sono

A obstrução nasal pode ser especialmente incômoda durante a noite. A dificuldade para respirar pelo nariz pode levar a pessoa a respirar pela boca e contribuir para uma pior qualidade do sono. Como consequência, algumas pessoas tendem a acordar com sensação de boca seca, cansaço ou perceber queda de disposição ao longo do dia.

Segundo o especialista, a observação dos sintomas também é importante para identificar quando é necessário procurar avaliação médica. “Se a pessoa percebe que está sempre com o nariz congestionado, precisa usar a boca para respirar, ronca ou sente que não consegue dormir bem por causa da obstrução, vale investigar. O objetivo não é simplesmente liberar o nariz por algumas horas, mas identificar a causa do problema”, orienta o Dr. Alexandre Cury.

Mulher ruiva, de camisa jeans clara, segura um frasco azul de spray nasal próximo ao rosto em uma sala de estar, com expressão pensativa.
Descongestionantes vasoconstritores devem ser usados com cautela e sob orientação médica (Imagem: Anastasija Vujic | Shutterstock)

Cuidado com o uso frequente de descongestionantes

Um dos hábitos que podem dificultar a resolução do problema é o uso frequente de descongestionantes nasais de ação vasoconstritora. Embora esses medicamentos possam proporcionar alívio rápido da congestão, o uso contínuo pode provocar o chamado efeito rebote, quando o nariz volta a ficar congestionado após o efeito do medicamento passar.

O uso excessivo de descongestionantes tópicos pode levar à chamada rinite medicamentosa, criando um ciclo em que a pessoa utiliza novamente o produto para aliviar uma congestão que pode estar sendo agravada pelo próprio uso do medicamento.

“É comum o paciente perceber que o descongestionante funciona muito rapidamente e passar a utilizá-lo sempre que o nariz fecha. O problema é que, com o uso repetido, pode ocorrer congestão de rebote. A pessoa sente que precisa do medicamento cada vez mais e acaba entrando em um ciclo que precisa ser interrompido com orientação médica”, alerta o otorrinolaringologista.

Obstrução nasal não tem uma única causa

A congestão pode aparecer em situações passageiras, como resfriados e infecções respiratórias, mas também pode estar relacionada a condições crônicas. A rinite alérgica, por exemplo, costuma apresentar sintomas como espirros, coceira, coriza e obstrução nasal. Já alterações estruturais podem dificultar mecanicamente a passagem do ar.

“Não existe uma solução única para todo nariz entupido. Precisamos avaliar o histórico do paciente, os sintomas e as características anatômicas do nariz para chegar à causa e definir a conduta mais adequada”, explica o Dr. Alexandre Cury.

Por Camila Crepaldi

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