Presenciar alguém desmaiando pode causar susto e deixar quem está por perto sem saber como agir. Na tentativa de fazer a pessoa recuperar a consciência rapidamente, algumas atitudes conhecidas popularmente acabam sendo colocadas em prática, como oferecer água, sacudir a vítima ou aproximar produtos com cheiro forte do nariz. No entanto, essas medidas podem ser inadequadas e até trazer riscos.
O desmaio, também chamado de síncope, é uma perda temporária de consciência geralmente associada à redução momentânea do fluxo sanguíneo para o cérebro. As causas são variadas e podem incluir calor intenso, desidratação, diminuição brusca da pressão arterial e jejum prolongado, além de condições que precisam de investigação médica.
Segundo a enfermeira Tatiane Almada, coordenadora de Enfermagem da Faculdade Anhanguera, manter a calma e se atentar ao que não deve ser feito nos primeiros minutos com a vítima é importante para evitar complicações.
“Quando alguém perde a consciência, a prioridade é manter a pessoa em segurança e verificar se ela está respirando. A ação de atendimento deve ser rápida, afrouxar roupas apertadas, principalmente na região do tórax, mantendo as vias aéreas livres. Algumas tentativas de fazê-la despertar rapidamente podem acabar trazendo riscos desnecessários”, explica.
A seguir, veja erros que devem ser evitados ao socorrer alguém que desmaiou:
1. Oferecer água imediatamente
Dar água para alguém que acabou de desmaiar pode parecer uma maneira de ajudar, mas líquidos, alimentos ou medicamentos não devem ser oferecidos enquanto a pessoa estiver inconsciente ou ainda não tiver recuperado completamente o estado de alerta. Isso porque ela pode apresentar dificuldade para engolir adequadamente, aumentando o risco de engasgo e aspiração. O ideal é aguardar até que esteja totalmente consciente e recuperada.
2. Sacudir ou dar tapas para tentar acordá-la
Outro impulso comum é sacudir a pessoa ou dar pequenos tapas em seu rosto na tentativa de fazê-la despertar. A atitude não resolve a causa do desmaio e deve ser evitada. Se a pessoa estiver respirando normalmente, o recomendado é mantê-la deitada em segurança e chamá-la em voz alta. Caso não responda ou apresente alterações na respiração, é necessário buscar ajuda para atendimento de emergência.

3. Aproximar álcool, perfume ou outros cheiros fortes do nariz
A prática de usar álcool, perfumes ou outras substâncias com odor intenso para tentar acordar alguém não é recomendada. Além de não tratar a causa do episódio, esses produtos podem provocar irritação das vias respiratórias. “O fato de uma prática ser popular não significa que ela seja adequada em uma situação de primeiros socorros. O mais importante é garantir a segurança da pessoa e acompanhar seus sinais enquanto ela recupera a consciência”, orienta a professora.
4. Colocar a pessoa sentada ou em pé assim que ela acordar
Mesmo que a pessoa desperte rapidamente e diga que está bem, não é indicado fazê-la se levantar imediatamente. A mudança brusca de posição pode provocar uma nova tontura e aumentar o risco de outro desmaio e de quedas. Após recuperar a consciência, ela deve permanecer deitada por alguns minutos e se levantar gradualmente, quando estiver se sentindo melhor.
5. Achar que todo desmaio é inofensivo
Muitos episódios apresentam recuperação rápida, mas isso não significa que todos devam ser ignorados. É importante observar o contexto em que o desmaio aconteceu e se existem outros sintomas associados. Dor no peito, dificuldade para respirar, palpitações importantes, confusão persistente, ferimentos provocados pela queda ou demora para recuperar a consciência são sinais que exigem atenção. Desmaios recorrentes, sem causa aparente ou durante a prática de exercícios, também precisam ser investigados.
Se a pessoa estiver inconsciente e não respirar normalmente, a situação deve ser tratada como emergência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) deve ser acionado pelo número 192, seguindo as orientações da equipe até a chegada do socorro.
“O desmaio é um sinal, e não um diagnóstico. Quando os episódios se repetem ou aparecem acompanhados de outros sintomas, é importante buscar avaliação profissional para identificar o que pode estar provocando a perda de consciência”, finaliza.
Por Priscila Dezidério