Síndrome mão-pé-boca: saiba como identificar, tratar e evitar a transmissão

A síndrome mão-pé-boca voltou ao radar das autoridades de saúde e das famílias após o aumento de casos registrados em diferentes regiões do país, incluindo São Paulo. Na capital paulista, foram contabilizados 724 casos apenas no primeiro semestre deste ano, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

De maior incidência entre crianças menores de cinco anos, a síndrome mão-pé-boca (SMPB) é uma infecção viral caracterizada pelo surgimento de lesões na pele e na cavidade oral, que podem causar desconforto e dificuldade para se alimentar. Apesar de, na maioria dos casos, apresentar evolução favorável, a doença tem alto poder de transmissão e pode se espalhar rapidamente, especialmente em ambientes com grande circulação de crianças, como creches e escolas.

Causada principalmente pelos vírus Coxsackie A16 e Enterovírus 71, a síndrome também pode afetar crianças maiores e, mais raramente, adultos. A transmissão acontece por contato direto com secreções respiratórias, saliva, fezes ou superfícies contaminadas.

Embora os surtos sejam mais frequentes durante o outono e o inverno, período em que há maior circulação do vírus, a síndrome mão-pé-boca pode ocorrer ao longo de todo o ano. Por isso, a Dra. Ana Claudia, pediatra do dr.consulta, explica quais são os primeiros sinais da doença, as principais formas de tratamento e as medidas essenciais para reduzir a disseminação. Confira!

Sintomas da síndrome mão-pé-boca

Os sintomas iniciais da síndrome mão-pé-boca costumam incluir febre alta, seguida pelo surgimento de aftas dolorosas na boca e aumento dos gânglios linfáticos, principalmente na região do pescoço. Esses sinais podem ocorrer tanto em crianças quanto em adultos.

Com a evolução da doença, as aftas podem se transformar em lesões avermelhadas, pequenas bolhas ou úlceras, que podem atingir diferentes áreas da cavidade oral, como amígdalas, língua, faringe e parte interna das bochechas. Também é comum o aparecimento de lesões nas palmas das mãos e nas plantas dos pés.

Em alguns casos, essas lesões podem se espalhar para outras regiões do corpo, como nádegas, coxas, braços, tronco e rosto, podendo causar coceira e desconforto. Outros sintomas frequentes incluem dor de cabeça, dor de garganta, falta de apetite e mal-estar geral.

Tratamento para a doença

O vírus costuma desaparecer espontaneamente em até 10 dias e, por isso, não há um tratamento específico para a síndrome. Após a avaliação de um pediatra, as principais recomendações costumam envolver repouso, hidratação adequada e uma alimentação mais leve, com a preferência por evitar alimentos quentes, ácidos ou que possam causar desconforto nas lesões da boca.

O controle da febre e de outros sintomas, como dor e mal-estar, pode ser feito com medicamentos sintomáticos, como antitérmicos, sempre conforme orientação médica. Em geral, a melhora ocorre ao longo de aproximadamente uma semana.

Mulher e menina sorrindo enquanto lavam as mãos na pia
A prevenção da síndrome mão-pé-boca depende principalmente de medidas de higiene (Imagem: Yuganov Konstantin | Shutterstock)

Como reduzir a transmissão da síndrome mão-pé-boca

Por apresentar alta transmissibilidade, especialmente em creches e escolas, a prevenção depende principalmente de medidas de higiene. Entre as principais recomendações, estão:

  • Lavar as mãos frequentemente, especialmente após trocar fraldas e antes das refeições;
  • Higienizar brinquedos e superfícies de uso compartilhado;
  • Evitar compartilhar utensílios, copos e toalhas;
  • Manter a criança afastada da escola ou creche durante a fase mais aguda da doença, especialmente enquanto houver febre e lesões ativas, conforme orientação médica.

Quando procurar atendimento médico

A síndrome mão-pé-boca apresenta evolução benigna na maior parte dos casos. No entanto, alguns sinais exigem avaliação médica imediata, como dificuldade importante para ingerir líquidos ou sinais de desidratação, sonolência excessiva, irritabilidade intensa, febre alta ou persistente por mais de três dias, além de dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, vômitos repetidos ou qualquer alteração neurológica.

Outro ponto que costuma gerar preocupação entre pais e responsáveis é o surgimento de descamação da pele das mãos e dos pés ou até a queda temporária das unhas algumas semanas após a infecção. Apesar de chamar a atenção, essas manifestações podem ocorrer como uma consequência tardia da doença e, na maioria dos casos, são transitórias, com recuperação espontânea.

“É importante manter a criança bem hidratada, seguir as orientações médicas e observar possíveis sinais de agravamento. Essas medidas fazem toda a diferença para uma recuperação segura”, conclui a Dra. Ana Claudia.

Por Beatriz Magalhães

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