5 lesões que mais afastam jogadores amadores dos gramados

Com a chegada da Copa do Mundo, o clima de competição toma conta das conversas, das redes sociais e até mesmo das quadras e campos espalhados pelo país, onde muita gente volta a calçar a chuteira depois de um longo período parado. Esse movimento, apesar de empolgante, acende um alerta: a retomada repentina do futebol, sem preparo físico adequado, pode aumentar de forma significativa o risco de lesões, que podem comprometer a saúde e afastar praticantes do esporte por semanas ou até meses.

“O futebol é uma atividade que exige mudanças rápidas de direção, acelerações, desacelerações e contato físico. Quando o praticante não está adequadamente condicionado, o risco de lesão aumenta significativamente”, explica o ortopedista e traumatologista Dr. Luis Marcelo Muller, do Hospital Regina.

Principais fatores de risco para lesões

Entre os principais fatores de risco, está o perfil conhecido como “atleta de fim de semana“, ou seja, aquela pessoa que passa boa parte da semana sedentária e concentra esforços intensos em uma única partida. A combinação de falta de condicionamento, aquecimento insuficiente, poucas horas de sono e, em alguns casos, consumo de álcool antes da atividade cria um cenário propício para lesões musculares e articulares.

A escolha dos equipamentos também influencia diretamente na segurança durante a prática esportiva. Chuteiras inadequadas e campos em más condições aumentam o risco de quedas, torções e lesões ligamentares. O alerta vale inclusive para gramados sintéticos, que exigem cuidados específicos de manutenção para oferecer condições seguras aos atletas.

Lesões mais comuns no futebol recreativo

Segundo o Dr. Luis Marcelo Muller, as lesões mais frequentes no futebol recreativo afetam principalmente os membros inferiores. Entre os problemas mais comuns observados nos atendimentos, estão:

  1. Entorse de tornozelo: ocorre geralmente após mudanças bruscas de direção ou pisadas inadequadas;
  2. Lesões musculares na parte posterior da coxa: relacionadas principalmente a arrancadas, sprints e falta de condicionamento físico;
  3. Contusões: provocadas por choques entre jogadores ou quedas durante a partida;
  4. Lesões no joelho: incluem desde entorses até rupturas ligamentares, como a do ligamento cruzado anterior (LCA);
  5. Fraturas: menos frequentes, mas potencialmente graves, principalmente em situações de impacto direto ou torções intensas.
Fotografia em plano médio focada em duas jogadoras de futebol em um gramado. À esquerda, uma jovem atleta negra veste um uniforme vermelho e branco e está sentada no chão com uma expressão de dor ou desconforto, apoiando a mão sobre o próprio joelho. À direita, uma mulher loira, vestindo uniforme totalmente preto, está ajoelhada e segura a perna estendida da jogadora ferida pelos tornozelos, ajudando-a a alongar ou avaliando a lesão. O fundo mostra o restante do campo esportivo de forma desfocada.
Ignorar sinais de dor ou tentar continuar jogando após uma lesão pode agravar o quadro e transformar um problema simples em uma condição crônica (Imagem: PeopleImages | Shutterstock)

Quando é hora de parar

Quando uma lesão acontece durante a partida, a orientação é interromper imediatamente a atividade e adotar medidas simples de primeiros socorros. O protocolo conhecido como PRICE (proteção, repouso, gelo, compressão e elevação do membro afetado) ajuda a controlar a dor e o inchaço nas primeiras horas após o trauma. No entanto, situações que envolvam incapacidade de caminhar, deformidades, instabilidade articular ou dor intensa exigem avaliação médica imediata.

Outro ponto importante é evitar negligenciar sintomas aparentemente leves. Entorses graves de tornozelo, rupturas ligamentares, fraturas não diagnosticadas e até lesões musculares importantes podem deixar sequelas permanentes quando não recebem tratamento adequado. “Muitas pessoas acreditam que a dor vai desaparecer sozinha e continuam jogando. Esse comportamento pode transformar uma lesão simples em um problema crônico e dificultar o retorno ao esporte”, alerta o especialista do Hospital Regina.

Como evitar lesões no futebol

Grande parte das lesões pode ser evitada com medidas relativamente simples: aquecimento nos 15 minutos que antecedem a atividade, prática regular de exercícios físicos, fortalecimento muscular, hidratação adequada e períodos suficientes de descanso são algumas das estratégias mais eficazes para reduzir os riscos.

Retomar o contato com a bola aos poucos é outra recomendação válida. “Começar com controle de bola, dribles e chutes a gol. Depois, iniciar jogos de pequenas durações e, assim, evoluir progressivamente. Para evitar lesões, é essencial adequar intensidade e regularidade nesse início”, destaca o ortopedista Emerson Garms, do Hospital Santa Catarina – Paulista.

Por Nadja Cortes

Você em primeiro lugar!

Inscreva-se e receba as últimas novidades e destaques diretamente no seu e-mail.

Mônika Leão

Seg à Sex | 9h às 13h

Ney Casanova