Depois de meses de preparação, a véspera do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) costuma vir acompanhada de uma dúvida: ainda dá tempo de estudar ou o melhor é fechar os livros? Para muitos candidatos, a ansiedade faz justamente o contrário do que seria desejável. É nesse momento que aparecem maratonas de revisão, noites mal dormidas e a tentativa de aprender em algumas horas aquilo que não foi assimilado ao longo do ano.
Para Carol Braga, professora de biologia, especialista em pré-vestibular e CEO do Foco Medicina, a véspera não deve ser encarada como um último dia para recuperar todo o conteúdo. A prioridade é chegar à prova descansado, organizado e em condições de utilizar aquilo que já aprendeu.
“Existe uma sensação de que qualquer hora sem estudar na véspera é uma hora perdida, mas não funciona assim. O aluno construiu sua preparação durante meses. Tentar compensar inseguranças nas últimas horas pode aumentar a ansiedade e comprometer justamente a concentração, o raciocínio e a resistência para uma prova longa. A véspera deve ser muito mais estratégica do que intensa”, explica.
A seguir, veja como se preparar para a prova e o que evitar fazer na véspera do Enem.
1. Não tente aprender uma matéria inteira
Uma dúvida pontual pode ser revisada, mas começar um conteúdo extenso na véspera tende a aumentar a sensação de despreparo. O ideal é concentrar a atenção em informações já estudadas, sem transformar as últimas horas em uma corrida contra o tempo.
“Se o estudante quiser olhar alguma coisa, pode fazer uma revisão leve de fórmulas, conceitos, repertórios ou pontos que já conhece. O que eu evitaria é abrir um assunto praticamente novo e passar horas tentando dominá-lo. A chance de gerar mais insegurança do que conhecimento é grande”, orienta Carol Braga.
2. Separe tudo antes de dormir
O documento de identificação, as canetas permitidas e as informações sobre o local de prova e o trajeto devem ser conferidos com antecedência. Também vale planejar o horário de saída, contando com possíveis imprevistos no deslocamento.
“A pior coisa é começar o dia da prova procurando documento ou descobrindo em cima da hora que não sabe exatamente onde fica o local. Organização também faz parte da preparação. Quanto menos decisões e problemas o aluno tiver que resolver naquele dia, mais energia consegue preservar para a prova”, afirma a professora.
3. Não faça experiências com alimentação
A véspera não é o momento de testar alimentos diferentes, exagerar em refeições pesadas ou apostar em grandes quantidades de café e energéticos para continuar estudando. Manter hábitos conhecidos ajuda a evitar desconfortos que podem atrapalhar o desempenho.
“O ideal é manter uma rotina que o organismo já conhece. O aluno não precisa criar um ritual perfeito para o Enem. Precisa evitar que uma escolha feita por ansiedade provoque desconforto justamente no momento em que mais precisa estar bem”, explica Carol Braga.

4. Defina uma hora para encerrar os estudos
Uma revisão que deveria durar meia hora pode facilmente atravessar a madrugada quando o candidato está inseguro. Por isso, estabelecer previamente um horário para parar ajuda a evitar excessos e preservar o descanso necessário para o dia seguinte.
“Chega um momento em que continuar estudando deixa de ser produtivo. A pessoa lê, mas já está cansada e não consegue absorver. Saber parar também é estratégia. Não adianta ganhar três horas de revisão e perder qualidade durante várias horas de prova no dia seguinte”, destaca.
5. Evite comparar sua preparação com a dos outros
Na véspera, grupos de WhatsApp e redes sociais podem virar uma sequência de “você estudou isso?”, “vai cair aquilo” e “não acredito que você ainda não revisou tal assunto“. Esse tipo de comparação pode aumentar a insegurança e prejudicar a tranquilidade do candidato.
“Cada aluno chega ao Enem com uma trajetória diferente. Na véspera, descobrir que um amigo revisou algo que você não revisou dificilmente ajuda. Muitas vezes só cria uma urgência artificial. É hora de confiar no processo que foi construído e proteger a concentração”, diz Carol Braga.
6. Faça algo que ajude a desacelerar
Depois de uma revisão curta, vale escolher atividades que tirem o cérebro do estado permanente de prova. Caminhar, assistir a algo leve, conversar com a família ou simplesmente descansar podem fazer parte dessa preparação.
“Descansar na véspera não é falta de comprometimento. O candidato precisa entender que chegar mentalmente exausto também tem um preço. O Enem exige atenção durante muitas horas, então preservar energia é tão estratégico quanto revisar conteúdo”, observa.
7. Priorize o sono
Talvez seja a orientação mais simples e uma das mais difíceis para quem está ansioso. Virar a noite estudando pode prejudicar a atenção, a interpretação e a capacidade de administrar uma prova extensa. Dormir bem é parte da preparação e ajuda o candidato a chegar em melhores condições físicas e mentais.
“Na última noite, o objetivo não é se transformar em um aluno diferente daquele que você foi durante o ano. É chegar em condições de mostrar aquilo que sabe. O estudante não controla exatamente o que vai cair, mas consegue controlar como organiza sua véspera, o horário em que encerra os estudos e a preparação para sair de casa. Nas últimas 24 horas, isso faz muita diferença”, finaliza Carol Braga.
Por Sarah Carvalho