Julho Amarelo: 4 mitos e verdades sobre a transmissão das hepatites virais

Durante o Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização e ao combate às hepatites virais, profissionais de saúde reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce dessas infecções. Transmitidas principalmente pelo contato com sangue contaminado, elas afetam o fígado e podem causar desde alterações leves até problemas graves, como cirrose e câncer hepático. Mesmo com os avanços na vacinação, nos exames e nos tratamentos, elas ainda representam um desafio para a saúde pública, principalmente porque, na maioria dos casos, evoluem de forma silenciosa.

De acordo com o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 826 mil casos confirmados de hepatites virais entre 2000 e 2024, sendo a hepatite C responsável pela maior parcela dos diagnósticos (41,5%), seguida da hepatite B (36,6%). Embora a mortalidade tenha caído nas últimas décadas graças ao acesso à vacinação, a prevenção continua sendo fundamental, especialmente em situações que envolvem contato com sangue.

Apesar de os avanços nas normas de biossegurança terem reduzido significativamente os riscos de transmissão, ainda existem dúvidas sobre procedimentos comuns, como fazer tatuagem, ir à manicure ou realizar tratamentos estéticos. Para ajudar a esclarecer o tema, especialistas explicam o que é mito e o que é verdade sobre o assunto. Confira!

1. Fazer tatuagem ainda pode transmitir hepatites virais

Verdade. O risco existe quando agulhas, tintas ou outros materiais utilizados não são descartáveis ou esterilizados corretamente. Estúdios regularizados seguem normas rigorosas de biossegurança, reduzindo significativamente essa possibilidade.

“Hoje existem normas sanitárias bastante rígidas para estabelecimentos que realizam tatuagens e piercings. Quando essas recomendações são seguidas, o risco é extremamente baixo. O problema está nos procedimentos realizados em locais sem fiscalização ou que reutilizam materiais perfurocortantes”, explica Dra. Rosana Richtmann, infectologista do laboratório Exame, marca da Dasa no Distrito Federal.

2. Compartilhar alicate de unha ou lâmina de barbear não oferece risco

Mito. Mesmo quando não há sangue visível, esses objetos podem conter pequenas quantidades de sangue capazes de transmitir vírus como os das hepatites B e C. Por isso, itens de uso pessoal que possam causar pequenos cortes ou lesões nunca devem ser compartilhados.

“É um mito pensar que só existe risco quando há sangue visível. Quantidades microscópicas podem permanecer em alicates, lâminas e outros objetos perfurocortantes. O compartilhamento desses itens deve ser evitado, pois é uma medida simples, mas muito importante para prevenir a transmissão das hepatites virais e outras infecções”, complementa a infectologista.

mulher de camiseta rosa sentada em cadeira azul e enfermeira ao lado, em pé, retirando sangue do braço dela
As hepatites virais podem evoluir sem sintomas por anos, por isso o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações (Imagem: Svitlana Hulko | Shutterstock)

3. Todas as hepatites apresentam sintomas logo no início

Mito. Grande parte das hepatites virais pode permanecer silenciosa por muitos anos. Em diversos casos, o diagnóstico acontece apenas quando já existe comprometimento do fígado.

“Esse é um dos maiores desafios no combate às hepatites virais. Muitas pessoas convivem com a infecção sem saber e descobrem a doença apenas em fases mais avançadas. Por isso, a realização de exames é fundamental, especialmente para quem já esteve exposto a fatores de risco”, destaca o Dr. Sandro Melim, hematologista do laboratório Exame.

4. Materiais de manicure podem transmitir hepatites

Verdade. Alicates, espátulas e outros instrumentos que entram em contato com sangue, mesmo em pequenos ferimentos, precisam ser esterilizados corretamente entre um cliente e outro. O uso de materiais individuais também é uma medida importante de prevenção.

“Mesmo pequenos cortes podem ser suficientes para a transmissão de algumas doenças quando há contato com instrumentos contaminados. Por isso, é importante observar se o estabelecimento segue boas práticas de esterilização ou optar pelo uso de materiais individuais”, orienta o especialista.

Por Joyce Castilho

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