Nas férias, viagens e passeios passam a fazer parte da rotina de muitas famílias. Para quem convive com diabetes, porém, mudanças nos horários das refeições, períodos prolongados de deslocamento e alterações na atividade física exigem atenção para evitar oscilações da glicemia e outros imprevistos durante o descanso.
Segundo Cláudia Bis, coordenadora de Enfermagem da Faculdade Anhanguera, o planejamento é importante principalmente para pessoas que utilizam insulina ou medicamentos que podem provocar hipoglicemia, condição caracterizada pela queda dos níveis de açúcar no sangue.
“Durante uma viagem, é comum passar mais tempo sem se alimentar ou abusar de alimentos não habituais, caminhar além do habitual ou mudar os horários das refeições. Para quem tem diabetes, essas alterações podem interferir no controle da glicemia. Por isso, alguns cuidados devem começar antes mesmo de sair de casa”, explica.
A seguir, veja cuidados importantes para organizar o tratamento, manter o controle da glicemia e evitar imprevistos durante os passeios!
1. Organize os medicamentos antes de sair
Confira se a quantidade será suficiente para todo o período, incluindo possíveis atrasos no retorno. Medicamentos, insumos e equipamentos de monitoramento devem ficar em local de fácil acesso, especialmente durante deslocamentos longos.
Além disso, é importante levar a receita médica dos medicamentos para comprovar a prescrição ou facilitar a aquisição de reposições em caso de extravio de bagagem. No caso da insulina, também é necessário ter atenção às condições de armazenamento e às alterações de temperatura.

2. Tenha atenção aos horários das refeições
Ficar muitas horas sem comer pode aumentar o risco de hipoglicemia em pessoas que utilizam determinados medicamentos. Vale planejar as paradas e levar opções de alimentos adequadas às necessidades individuais. É importante ter em mãos frutas secas, água, barrinha de cereais e até mesmo algumas balas.
3. Saiba reconhecer os sinais de hipoglicemia
Tremores, suor frio, palpitações, fome intensa e confusão mental podem indicar queda da glicose. Quem utiliza medicamentos associados a esse risco deve levar uma fonte de carboidrato de rápida absorção e seguir as orientações recebidas da equipe de saúde. Em caso de perda de consciência, não se deve oferecer alimentos ou líquidos pela boca, sendo necessário acionar atendimento de emergência.
4. Cuide do armazenamento da insulina
Quem utiliza insulina precisa observar as recomendações de conservação de cada produto, evitando exposição ao calor excessivo ou congelamento. Durante o transporte, bolsas térmicas apropriadas podem ajudar, desde que a insulina não fique em contato direto com gelo.
5. Considere as mudanças na atividade física
Caminhadas prolongadas, passeios e outras atividades diferentes da rotina podem alterar a glicemia. A prática de exercícios em altitude pode exigir maior esforço do organismo para obter oxigênio. Atividades físicas realizadas em temperaturas muito altas ou muito baixas também podem interferir no controle da glicemia. Por isso, é importante ter atenção às condições dos locais de passeio. O monitoramento deve seguir as orientações individualizadas, especialmente quando houver aumento do esforço físico.
“Viajar com diabetes não significa abrir mão dos passeios ou das experiências das férias. Dos sabores, das emoções. O mais importante é conhecer as necessidades de cada pessoa, manter o tratamento e se preparar para situações que possam exigir atenção”, orienta Cláudia Bis.
Momentos de lazer contribuem para o bem-estar emocional
As experiências vividas durante uma viagem também podem contribuir para o bem-estar e proporcionar momentos de descanso e descontração. “Cada viagem traz consigo diversas sensações que revitalizam as pessoas, trazendo um reabastecimento de suas baterias físicas e mentais, liberando endorfinas e formando lembranças felizes”, ressalta a professora.
Antes de viagens longas, especialmente quando houver mudança de fuso horário, é recomendável conversar com a equipe de saúde para avaliar possíveis ajustes no tratamento. Medicamentos e doses não devem ser alterados por conta própria.
Por Priscila Dezidério